A gente se adapta (por mais improvável que seja)
- 3 de fev. de 2021
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A primeira vez que escrevi um blog eu tinha acabado de ser contratado pelo cara que se tornou meu sócio.
Eu já nem sei como esse negócio de internet funciona agora, mas naquela época eu mandava muito bem: já tem mais de dez anos que encerrei meu diário on-line, “A Tampa”, onde falei todos os dias sobre a busca pela tampa da panela - o nome era ótimo porque eu era um projeto de redator escrevendo um blog gay com nome de site de receita (mas de um outro tipo de bolo).
Soa desesperador ver que quase doze anos depois continuo falando de homem na internet, mas apesar do assunto ser o mesmo, todo o resto mudou (vai ver é por isso que escrevo, sou um acumulador de memórias).
É que por mais improvável que pareça, quando as coisas mudam, a gente se adapta. Se adapta com tanta velocidade que se pergunta “onde foi parar aquela antiga versão minha que deixou de existir em tão pouco tempo?”.
Quando comecei a namorar foi assim: eu passei tanto tempo solteiro, mas tanto tempo solteiro que ser solteiro fazia parte de quem eu era - foi rápido, e improvável, mas foi só começar a namorar que logo, logo aquele Leo deixou de existir e deu espaço para outro bem diferente do anterior.
O Leo que namorava, o cara que parou de comer carne ou aquele outro que parou de fumar, que perdeu peso ou, sei lá, virou pai, não importa, a gente se adapta - e essa é a beleza da adaptação: ela tem memória curta, é estranhamente improvável e assustadoramente rápida.
Eu tenho um amigo, o Bê, que nunca namorou, mas ele se apaixonou há pouco tempo e hoje, 3 de fevereiro, o Guga e ele completam um ano de namoro (e, juro, é como se o Bê nunca tivesse sido solteiro um dia!).
Hoje, pouco mais de um ano depois do fuzuê que foi o meu aniversário (aquele que conto no “Respira”), eu já não lembro do último Leo. Não lembro das roupas que ele vestia, do corpo que tinha… Se paro para pensar nas coisas que ele comia, nos medos que ele tinha, em tudo que ele mais queria…
Olha, entre o Leo d’A Tampa e o Leo do Respira eu já fui tantos que dava para marcar uma partida de vôlei com pelo menos cinco de cada lado.
Claro que é do Leo de agora que gosto, mas tenho orgulho de todos os outros, porque ninguém se enaltece com os desejos e expectativas do que vem pela frente, mas com o que vê quando olha para trás.
É olhar para trás que me enche de esperança, sabia?



Aaah, Leeeo 🥰 Eu gosto de todos :)